Erro

Por que isso que me faz sofrer se repete em minha vida?

Postado por Francisco Tiago Castelo Leitão da Silva em 01/07/2021 15:58


Fulano vem de uma família marcada pela pobreza, mas deseja ele próprio outra vida que não aquela de sua familia. Ele foi o primeiro entre eles a entrar na universidade, mas a duras penas atravessou seu curso; foi o primeiro a formar-se, mas sempre sentia-se incapaz de exercer sua profissão, por mais que tivesse conhecimento e habilidade. Havia nele um fantasma que o atormentava: o medo de não ser bem sucedido, de mesmo com seu esforço, não construir uma carreira, ver-se "pobre" assim como ele via sua família.

Fulana sempre tem problemas em seus relacionamentos, que não duram mais do que poucos meses. Se diz "fria", com dificuldade de demonstrar sentimentos". Quando fala sobre sua história, sem se dar conta comenta que também sua mãe e tias tiveram a mesma situação; que cresceu com pessoas que não demonstravam tanto afeto - ou que ela não reconhecia o afeto que as pessoas ao seu redor lhe ofereciam.

Sicrano abandonou diversos projetos de vida. Tentou alguns cursos, algumas relações, alguns sonhos, mas parece faltar a consistência que o amarraria ao seu desejo. Algo com a questão do abandono se mostra uma constante em sua vida. Em determinada sessão, ele fala da dor de ter sido abandonado pelo pai quando era ainda uma criança. Esse abandono deixou uma marca, que nele se realiza no próprio abandono de si através do abandono das coisas que ele deseja.

Essas situações aqui exemplificadas dizem de questões fundamentais na vida dos personagens mencionados. Cada sujeito tem suas questões fundamentais, e embora não seja diretamente por causa delas que ele busque uma análise, em algum momento pode descobrir que é pelas consequências dessas questões que certos caminhos de sua vida são traçados. Há uma marca que faz sombra sobre ele e o amedronta. Essas questões são como fantasmas - não aqueles dos filmes de terror, mas os fantasmas da história singular de cada um. Esses fantasmas são as marcas da pré-história que os sujeitos carregam e se identificam; eles são o palco do sofrimento e a tela da realidade psíquica de cada um. É falando acerca desses fantasmas que algo da questão "por que eu sofro por isso?" se revela.

Esse atravessamento das identificações aos fantasmas de nossa história não é fácil. É de fato um processo que demanda a invenção de caminhos diferentes dentro da vida de um sujeito marcado por uma mesma história. Uma análise se dá oferecendo um campo onde o paciente possa identificar seus fantasmas e descobrir de que modo eles se articulam aos caminhos de seus sofrimento.

Tiago Castelo (CRP 03/2168)

Psicologia e Psicanálise

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