Excesso de intelectualização: um perigo

•• 2 min de leitura
Imagem do artigo: Excesso de intelectualização: um perigo

Ficar tentando intelectualizar as coisas para tentar compreendê-las, muitas vezes, é justamente o que faz com que a gente se distancie da possibilidade de compreendê-las de fato.

Muita gente vai para a análise, por exemplo, acreditando que uma teoria conceitual sobre si mesma vai ser formada, que ela vai compreender essa teoria e, então, poderá voltar, de alguma maneira, à sua vida normal.

A grande dificuldade com essa ideia é que, na maioria das vezes, a linguagem intelectual simplesmente não é adequada, ou não é suficiente, para dar expressão às imagens do inconsciente.

Na maioria das vezes, o símbolo escapa justamente à linguagem intelectual. Ele não pode ser plenamente expresso de forma intelectual.

Tentar expressá-lo dessa maneira seria como podar demais uma árvore, até o ponto em que ela já não consegue mais crescer, já não consegue produzir sequer uma nova folha.

O que precisamos fazer, então, é dar um contorno às imagens, à expressão que o inconsciente quer dar, da forma como ela vier, mesmo que isso signifique permanecermos, por algum tempo, em um estado de desolação ou de absoluto não saber, não saber o que aquilo significa, não saber o que aquilo quer de nós.

É somente permanecendo com essas imagens, é somente, de certa forma, nos entregando a elas, mesmo que não haja nenhum grau de intelectualização ou de explicação causal, que algo novo e espontâneo pode surgir daí e levar a pessoa a sair da estagnação em que sua vida se encontra