“Assim como o extrovertido se renuncia ao evaporar-se no objeto, o introvertido se esvazia de todo e qualquer conteúdo e precisa satisfazer-se com sua mera existência.” Jung, OC 6, 630.
Nada que é unilateral demais perdura. O extrovertido se perde no mundo ao depositar nele todo o sentido de sua existência. O introvertido, ao se fechar em si mesmo, corre o risco de esvaziar a própria interioridade até restar apenas a consciência de existir.
Nos dois casos, há uma recusa do movimento. Um se dissolve no objeto, o outro se separa dele. Ambos tentam preservar uma posição fixa diante de uma realidade que está sempre mudando. No fim, tentar manter uma visão de mundo morta e estática é preparar a aguardada dissolução do mundo, ou de si mesmo.
A vida exige tensão entre dentro e fora, entre o que somos e aquilo que nos transforma. Quando essa tensão é recusada, a consciência se empobrece e passa a defender como verdade aquilo que é apenas imobilidade.
É nesse desequilíbrio que a consciência deixa de crescer e começa a repetir a si mesma. O que deveria ser uma orientação transforma-se em dogma, e o dogma, ao não suportar a realidade, termina por destruí-la aos poucos.
