Erro

BORDERLINE - UMA LUZ NO VAZIO: POR UM DIAGNÓSTICO

Postado por Jose Lucas Rochel das Neves em 14/03/2022 08:56


BORDERLINE - UMA LUZ NO VAZIO: POR UM DIAGNÓSTICO

Aprender a valorizar o diagnóstico: chamar o bicho pelo nome.
O diagnóstico não é uma sentença para onde deve ir quem o recebe. Não deve ser também usado para justificar qualquer comportamento que advenha no futuro. Mas pode ser encarado como instrumento para compreender o próprio passado, reconhecer a estrada que nos fez chegar até aqui.

Também há aqueles que não fazem questão de um diagnóstico e é válido, pois quando não se tem anotada a receita do bolo, damos o nosso próprio sabor. E como não há fórmula secreta para a criação de felicidade, amor ou estabilidade, cada um tem a sua maneira de tentar, errar e acertar. O mais importante da questão: manter-se em tratamento para aprender com as experiências da sua história.

Com diagnóstico, através de tratamento, torna-se mais fácil saber quando a impulsividade pode ser silenciada, os terrores podem ser aplacados, os medos silenciados, permitindo-nos chegar a uma vida projectada. Não é a ideal: o transtorno faz perder anos de lutas inglórias. A maturidade ajuda a perceber as batalhas que vale apenas entrar ou apenas deixar passar. Pode ter tudo começado no Abandono, ou não. Sejam quais forem os traumas que atravessaram - ou nenhum -, são sempre muitas as horas queimadas: ausência de sono limpo, ausência de compreensão, de objectivo, de ânimo.

Poder agarrar o bicho de frente: pelo nome que tem. E analisarmo-nos e ter um orgulho tremendo: eu sobrevivi, dizemos.
Aprender a valorizar o diagnóstico: dizer “não estou sozinho/a”.

O grupo permite-nos ser fiéis a nós mesmos/as. Encontrar-nos, todos/as tão diferentes! A doença mental não nos definirá nunca! Estar no processo de cura não é poder descansar, é estar-se num sítio melhor para poder compreender, ajudar e construir.
Este poderia ser o testemunho de muitos/as. Não desesperem: não estamos sós.

 

Por fim, o diagnóstico pode contribuir para o início da recuperação da autoestima, reforçando o sentimento de pertencimento. Pertencer a um grupo, pode trazer conforto e identificação, saber que tem pessoas lutando a mesma guerra, eleva a vontade de vencer as próprias batalhas.

- Em parceria com a escritora de prosa e poesia Catarina Rosa Serra.

Desfrutem!
Jose Lucas
CRP 07/33196