Erro

Você terceiriza suas escolhas?

Postado por Flavia Franciny Costa Rojas em 11/03/2022 21:33


A vida é feita de escolhas”, você provavelmente já ouviu essa frase algum dia. Ela, assim como várias frases clichês, resumem (e limitam, as vezes) pequenas lições sobre a vida. As frases clichês podem não caber para toda e qualquer situação, mas se soubermos filtrar bem, conseguimos tirar boas reflexões sobre elas. 

 

Realmente, ao longo da vida nos vemos obrigados a fazer diversas escolhas. Sejam as mais simples e rotineiras (o que iremos comer, como iremos nos vestir, qual horário iremos sair) ou sejam as escolhas mais complexas (se queremos ter filhos, qual profissão seguir, onde iremos morar, se investimos ou não numa relação). De qualquer forma, fazer escolhas é algo inerente a vida, e vai nos acompanhar durante todo o nosso percurso. Alias, é o que nos humaniza e uma das mais importantes demonstrações de respeito entre os pares. 

 

Porém, as vezes por conta de uma história de vida marcada por anulação de si, educação (pais) rígida,  inibição dos desejos, violência emocional, dependência emocional, uma pessoa pode ter aprendido  a destinar ao outro a responsabilidade por decisões que dizem respeito a sua própria vida. Dessa maneira, ela vai perdendo o tato e capacidade de avaliar o que é bom para si, precisa que alguém de fora olhe e diga o que é o melhor. Há uma busca de validação do outro e uma tentativa de evitar que haja uma “escolha errada”. O que acaba  levando a um mau hábito: esperar que as pessoas façam escolhas por nós. 

 

Ainda que não pareça, isso nos mantém a uma zona de conforto (sim, as zonas de conforto podem ser desconfortáveis). 

 

Pois, se por um lado direcionar ao outro o poder de fazer escolhas sobre a nossa vida nos traz um "benefício momentâneo" de não precisar pensar ou lidar com a angústia, por outro ficamos menos preparados para lidar com as situações e refinar cada vez mais nossas escolhas. Isso faz com que a gente se acostume a transferir esse poder e responsabilidade sem que tenhamos que pensar nas consequências. Por conta disso, muitas vezes podemos viver uma vida a procura de culpados, afinal, nessa lógica, se eu não fiz “tal” escolha, as consequências são culpa de quem  escolheu por mim

 

Se não aprendemos a ter nossos desejos perguntados, reconhecidos e respeitado desde a infância, realmente pode ser difícil se apropriar disso na vida adulta. Mas vale lembrar: é difícil, porém não impossível. É um compromisso que temos conosco e cabe a nós buscarmos romper esse ciclo; deixar de reproduzi-lo para o resto da vida.

 

É um trabalho que pode levar tempo mas que nos retira desse lugar de mero seguidor das vontades alheias, principalmente quando isso se refere a decisões sobre as nossas vidas. Reconhecer aquilo que nos faz bem, nos responsabilizarmos, é degustar o doce e o amargo de nossas decisões, mas acima de tudo um compromisso com nosso presente e futuro. 

 

Fazer o caminho de escuta dos  nossos desejos, respeitar nossas escolha e ter empatia com nossas falhas pode nos proporcionar uma vida mais potente e com responsabilidade sobre nosso destino. E isso é algo que ninguém retira de nós.

 

O processo de psicoterapia pode ser um aliado nessa busca, onde em meio a tantos espaços que não somos ouvidos, o setting terapêutico pode proporcionar um momento de se ouvir com cuidado e olhar para as próprias questões.

 


 

Psicóloga Flávia Costa. 

CRP 05/60279

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