Erro

Você entende o que sente ?

Postado por Danilo Nogueira da Macena Pinto em 04/05/2022 21:43


Gostaria de te convidar para refletir por alguns minutos sobre qual foi a última emoção que você sentiu, consegue coloca-la em palavras? Pare agora e pense um pouco a respeito.

Para essa pergunta eu acredito que você possa ter pensado em um desses dois tipos de resposta, pode ter pensado na resposta de forma especifica, conseguindo pontuar se foi raiva, alegria, tristeza, solidão, desesperança, ansiedade ou até mesmo o ciúme; ou você deve ter chegado em algo mais abstrato como "estou sempre sozinho" ou "quando atingi aquele objetivo". Nossas emoções são os sentimentos que tem algum tipo de significado para nós, é através delas que moldamos a nossa experiencia com o mundo a nossa volta, dessa forma elas estão tão profundamente enraizadas em nós, que frequentemente temos o habito de confundir pensamentos (quando atingi aquele objetivo) com sentimentos (Raiva, alegria, etc). Entretanto, os pensamentos, basicamente, são mais atribuídos normalmente a nossa forma de experienciar as coisas, normalmente, transmitem nossas visões e formas de enxergar a vida. Penso que seja um comum que tenhamos a falsa impressão de que sabemos diferenciar os dois, é natural ler algo assim e pensar “ok, mas isso é obvio" talvez seja uma espécie de instinto de autoafirmação, afinal queremos ter certeza sobre tudo quando o assunto se trata de nós mesmos, porém, o que estudos indicam é que talvez nós tenhamos muito pouco conhecimento do que nós realmente sabemos.

Pare para pensar profundamente sobre as últimas vezes em que se sentiu perdido emocionalmente, não necessariamente por um grande motivo, mas algo mais simples como por exemplo, a última vez que passou um domingo sozinho. Conheço algumas pessoas que poderiam surtar simplesmente com a ideia, porém, acredito que esta seja uma situação bastante comum e bem familiar para a maioria de nós, independentemente de qual dos dois você seja, acredito que consiga identificar que nesse pensamento, o sentimento presente é o de solidão. Agora pense um pouco sobre como esses dias parecem ser tomados de uma certa melancolia palpável, se respirarmos fundo, chega a ser possível senti-la no ar. Durante esses dias, apostaria com tranquilidade que se eu te perguntasse sobre o que se passa na sua cabeça, bem provavelmente seria algo do tipo "Amanhã eu tenho que voltar para a droga do trabalho", "hoje eu não vou ver ninguém" ou talvez "que bom dia para não se fazer nada", a partir daí, se te perguntasse como se sente, provavelmente estaria perdido nesses pensamentos, e possivelmente permitindo que  eles  aumentassem dentro da cabeça, como por exemplo o trabalho, você se irritaria, depois poderia começar a pensar "não aproveitei minha folga direito" o que te traria tristeza, que automaticamente te faria pensar em algo como "mais uma semana até eu poder descansar de novo" que aumentaria mais um pouco a sua a tristeza, ou talvez mudasse para raiva ou talvez... enfim. O ponto é, generalize essa reflexão para as outras situações da sua vida, pense sobre como é fácil se perder dentro desse fluxo de emoções e pensamentos e em quantas situações você pode ter se prejudicado por conta desse processo, a partir daí, verá que é na verdade, ao invés do que se pensa, bastante difícil entender o que se sente, devido a essa facilidade que temos de divagar horas sobre os mais breves dos pensamentos, e igualmente fácil, acreditarmos que o que estes pensamentos representam é na realidade a forma como nos nós sentimos.

Nós temos essa tendencia natural a nos pregar esse tipo de peça, e nos colocar nesse tipo de armadilha, embora uma boa reflexão seja o remédio perfeito para essas situações, a verdade é que cada vez mais estamos menos habituados a olhar para dentro, nos convencendo facilmente e nos deixamos levar pelas primeiras justificativas que nos vem à mente quando somos invadidos por algum pensamento desse tipo. Temos pouca pratica em abraçar e em compreender o que essas ideias realmente querem dizer, devido a isso adquirimos em troca o péssimo habito de perder bons momentos por medo de lidar com esses sentimentos. Dessa forma, te proponho uma última pergunta, até quando você pretende continuar abrindo mão deles porque tem medo de olhar para dentro si mesmo?

 

Eu me chamo Danilo Nogueira, sou psicólogo e atendo aqui da plataforma do Central Psicologia, e estou aqui para caso precise de mim para ajudá-lo nessa batalha interna.

Fonte do Texto: Robert L. Leahy (Não acredite em tudo que você sente)

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