Erro

Relações abusivas na família

Postado por Flavia Franciny Costa Rojas em 09/06/2021 21:33


Nos últimos anos o conceito de  “relacionamento abusivo” se tornou bem popular nas redes sociais.

Muitas pessoas compartilharam relatos de abuso que sofreram de seus parceiros e como isso impactou suas relações amorosas dali em diante, bem como sua autoestima. Embora esse termo tenha se popularizado tendo como referência relações amorosas, não está restrito a elas.

 

O abuso pode ocorrer nos diversos tipo de relações, até mesmo aquelas que menos esperávamos, como a familiar. Na nossa sociedade, a família é vista como núcleo de onde o sujeito irá encontrar sustentação para seu desenvolvimento, que será um espaço acolhedor, de união e carinho. Porém isso não faz parte da realidade de muitas pessoas, que vivenciaram no seio familiar o ínicio de um ciclo de abusos. 

 

Mas afinal, quais são as características de uma relação abusiva? 

As relações abusivas geralmente são marcadas por um ciclo de violência psicológica (podendo também haver violência física e/ou sexual), onde estão presentes comportamentos desrespeitosos, controladores e humilhantes.

Em uma relação abusiva, uma das partes se torna dominante, impondo regras e manipulando situações/intimidando, ao passo que a outra pessoa está sempre cedendo e se culpabilizando pelos conflitos.

 

No meio familiar, marcado muitas vezes por relações hierarquizadas, essa  dinâmica acaba ganhando um terreno fértil para se desenvolver.

Existem muitas formas desses abusos se manifestarem na vida familiar, e a vítima pode levar tempo para perceber que vivencia tal situação.

 

“Mas se é abusivo, como assim a pessoa não sabe?” As relações abusivas, para quem está de fora, parecerem óbvias. E isso pode levar a uma incompreensão e falta de acolhimento para com as vítimas.

Porém, para a pessoa que está vivendo a situação, as coisas não são tão óbvias assim. E quando falamos de família isso tende a ser ainda mais intenso e confuso. 

 

A forma como fomos criados, as pessoas pelas quais fomos cuidados (ou nesses, casos maltratados), a  cultura e educação que recebemos no nosso meio familiar acaba sendo nossa referência de mundo e relação.

Quando vivemos em um meio estruturado dessa forma,  em idade tão precoce, dificilmente iremos olhar e perceber por conta própria que algo ali está errado.

Nos damos conta disso quando entramos em contato com outras famílias, outras relações. E às vezes nem isso. 

 

Com isso, uma pessoa que experienciou anos da sua vida com familiares abusivos pode demorar para se dar  conta das violências emocionais que sofreu.

E ainda que o faça, diante de tantas humilhações e crenças que recebeu por anos, pode acabar achando que a culpa é sua.

 

Isso acontece porque,  nas relações abusivas , o comportamento de abuso é marcado por situações que envolvem xingamentos, ameaças, gritos, chantagens, intimidação, privação e controle de uma das partes.

Há um desequilíbrio de perdas e ganhos na relação, onde a vítima deve sempre ceder e com isso sofrer a culpa pelos conflitos.

Dessa forma, ela desenvolve um sentimento de inferioridade, onde acredita estar sempre errada e cuja opinião e necessidades nunca serão respeitadas. 

 

As vítimas de relações abusivas aprendem que suas necessidades devem ser postas em segundo plano e que o afeto dado a elas é condicional, isto é depende de que elas se anulem e  obedeçam as regras.

Essa forma de se relacionar  pode gerar impactos em outras relações. 

Quando a pessoa se dá conta dessa dinâmica, pode querer se afastar para conseguir se cuidar e tentar compreender o quanto de suas dores emocionais envolvem as experiências vividas no meio familiar. Mas ainda que não se afaste, é importante reconhecer a necessidade de cuidar de si e das feridas que essa experiência pode ter ocasionado. 

 

Sair de relações abusivas envolve quebrar o ciclo de abuso, aprender a impor limites e cuidar da autoestima. Tudo isso pode parecer difícil no começo, mas é uma aposta num futuro de relações melhores para si. É uma aposta na própria vida. 

Se você está passando por isso ou conhece alguém nessa condição, busque ajuda profissional e uma rede de apoio com pessoas de sua confiança. 

Se cuide. 

 




Flávia F. Costa Rojas

Psicóloga CRP 05/60279

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