Erro

Será que sou Depressivo?

Postado por Bruno Mello em 15/05/2018 17:04:13


É parte integrante de nossas vidas a frustração e a falta. Esses dois sentimentos são familiares para todos nós e, cedo ou tarde, nos deparamos com eles. Alguns enfrentam o sentimento e são capazes de superar, outros deprimem-se com mais ou menos facilidade, adentrando um estágio de depressão leve ou depressão maior.

Alguns irão enfrentar a perda dos pais e ficarão tristes, até mesmo por longo tempo, porém não entrarão em depressão. Outros tirarão uma nota baixa em uma prova e apresentarão sintomas depressivos graves. O que faz um indivíduo deprimir é uma pré-disposição, uma série de estímulos e correspondentes comportamentais frente esses estímulos. Em outras palavras, passamos por um momento de tristeza, temos uma resposta a esse sentimento, que será diferente para cada um, dependendo da nossa história pessoal e familiar, hereditária, fatores ambientais (trabalho, rotina) e resiliência.

“Depressão” ou “Distimia”?

Antes de qualquer explicação, é necessário entender o quão recorrente, profunda, debilitante e presente é a mudança de humor. A Depressão e a Distimia são Transtornos do Humor diferentes e que nem sempre se relacionam.

O que é Distimia?

Distimia é uma alteração do humor presente em indivíduos desde sempre visivelmente tristes, portanto o Distímico tem uma tristeza persistente, constante e inata. Ou seja, Distimia é uma forma crônica da Depressão, porém com sintomas mais leves, pertinentes e que nem sempre têm um agente causador, um episódio desencadeador claro ou trauma, podendo assim parecer até parte da personalidade do indivíduo. Desta forma, a Distimia não é tão debilitante quanto a Depressão.

Os sintomas da Distimia são:

  • Desmotivação
  • Fraqueza
  • Pessimismo
  • Falta de Prazer na vida
  • Cansaço
  • Vontade de dormir o dia inteiro
  • Fuga das dificuldades cotidianas

Um Distímico consegue manter seu convívio social, familiar e laboral, apesar da constante tristeza, porém não irá se trancar, se isolar, se fechar ao mundo. Apesar de menos grave, a Distimia pode desencadear um quadro Depressivo Maior, se não tratada. O Distímico também costuma ser resistente ao tratamento, acreditando que o que sente é natural e que “a vida é ruim mesmo”. Tal comportamento é muito prejudicial, já que o indivíduo somente irá procurar auxílio quando estiver em um quadro mais grave, tornando o tratamento mais difícil.

O que é Depressão?

A Depressão comumente observada, denominada Depressão Maior, a mais grave, é um transtorno do humor muito debilitante, constante e profundo, podendo levar a outros respostas e comportamentos, como autodepreciação, autoflagelação, isolamento social e até o suicídio. Muito mais do que um mal-humor constante e um comportamento de pouco enfrentamento da vida, a Depressão apresenta sintomas psicológicos e físicos, prejudicando uma série de aspectos da vida.

Os sintomas da Depressão são:

  • Tristeza profunda
  • Culpabilidade, autodepreciação
  • Sentimento de vazio, incompletude
  • Irritabilidade
  • Ansiedade
  • Sentimento de inutilidade e falta de sentido em qualquer tarefa
  • Falta de motivação e interesse nas atividades cotidianas, até nas que gosta
  • Letargia
  • Excesso de Fome ou Falta de Fome
  • Compulsões sexuais ou perda total de libido
  • Sentimento de Desesperança, parecendo que tudo está perdido e nunca melhorará
  • Perda de memória, foco e concentração
  • Ideações suicidas (pensamentos e planejamento sobre a morte)
  • Dores físicas sem explicações e diagnósticos médicas

Colocando em poucas palavras, o Distímico é o mal-humorado crônico, ele mantêm uma tristeza profunda desde sempre, já o Depressivo necessita de um episódio depressivo para que a doença se manifeste, podendo ele ter um quadro distímico anterior ou não.

Quais são as Causas?

O Trauma, a frustração, a perda, a falta, o momento de tristeza profunda. Esses são exemplos de possíveis agentes desencadeadoras da Depressão. Perder um ente querido é um momento difícil, de profunda tristeza e que pode ser um episódio depressivo. Ou seja, é normal se deprimir frente uma perda como esta, porém, o luto pode ser elaborado e a vida continuar em frente, ou pode desencadear um quadro Depressivo Maior. Assim sendo, a resposta psíquica é diferente para cada indivíduo.

Quais os fatores de risco para desenvolvimento da Distimia ou da Depressão?

  • Histórico familiar (Hereditariedade)
  • Mudanças drásticas na vida e situações traumáticas
  • Desregulação hormonal
  • Conflitos familiares e amorosos

Troca de foco é inútil

Um dos conselhos mais recorrentes dentre as pessoas próximas aos depressivos é a troca de foco. Frases como “comece a namorar alguém”, “adote um cachorro”, “pare de ser triste, alegre-se”, são todas completamente inúteis, irresponsáveis, inoportunas e desatenciosas com o sofrimento, que precisa ser sentido. Adotar um cachorro quando se passa por um estágio depressivo é muito daninho porque envolve uma vida na qual se deposita uma responsabilidade sobre a cura do sintoma, ou seja, obriga-se a ignorar o sentimento de tristeza e dar atenção a um terceiro, trocando o foco. Amar alguém, adotar um animal, tentar novas atividades pode auxiliar no suporte da doença, porém não a resolve ou cura, fazendo-a voltar porque não é algo temporário, momentâneo, e sim é um padrão de comportamento e enfrentamento da vida. Ao adotar um cachorro o depressivo pode se alegrar, mas se deprimirá novamente e deixará o cão de lado. Depressivos costumam ter prejuízo na capacidade de julgamento, fazendo escolhas ruins, por que as fazem com sentimento e necessidade, não com razão.

Então qual o tratamento indicado?

O mais indicado é aceitar que é necessário tratamento, o que muitos relutam tempo demasiado demais, tornando a doença mais grave. Psicoterapia e atendimento Psiquiátrico são os mais indicados para a Distimia e também para a Depressão. Alguns indivíduos se deprimem e somente com a terapia conseguem expor os sintomas depressivos, ressignificar seus sentimentos e sofrimentos e possibilitar uma mudança realmente significativa.

Outros indivíduos não conseguirão superar a depressão somente com a Terapia porque a doença prejudica a capacidade de racionalização, elaboração e questionamento. Desta forma o paciente neste estágio depressivo terá um aproveitamento da Terapia limitado, alcançando determinado nível elaborativo e não conseguindo seguir em frete. Neste caso será necessário o uso de um antidepressivo, o qual deve ser receitado por um Psiquiatra. Existem vários tipos de antidepressivos, entretanto a maioria somente começa a fazer efeito e gerar mudança no paciente após duas a quatro semanas de uso.

Se você se identificou com algum dos sintomas e acho que seria proveitoso um processo terapêutico, permita-se ser atendido por um Psicólogo ou um Psiquiatra. A Depressão é uma doença grave e que tem tratamento.