Erro

Pais superprotetores criam adultos infelizes

Postado por Bruno Mello em 16/05/2018 21:20:26


A infância é o período em que nos definimos e nos descobrimos quanto personalidade e somos percebidos por quem nos rodeia como tal. Constantemente a criança irá testar a autoridade e amor paterno e materno. Ela sempre tentará, em seu narcisismo infantil, reinar sobre a família e, se não proibida, irá mesmo.

Nestes testes, a criança agirá desafiante, cada vez mais, caso esteja segura de que não será barrada. Se pede um chocolate no supermercado e não o ganha, ela tentará de diversas formas reinar. Cada uma terá sua ordem de respostas, algumas se revoltarão, brigarão, começarão a gritar, se for inútil virá o choro, se ainda inútil, se submeterá, se fazendo de coitada, na tentativa de seduzir. Se ela, finalmente ou nem tão difícil assim, conseguir o chocolate, ela aprenderá a via de conquista ideal. Se ela conseguiu o chocolate quando começou a chorar, ela aprenderá que submissão é a via ideal para conseguir o que quer, ou seja, se fazer de coitada; se conseguiu o chocolate gritando, aprenderá que a agressividade resolve; se ela conseguir o chocolate rapidamente, provavelmente quando o pai já esta cansado e sabe qual será a próxima atitude a criança, será ainda pior, já que além de reinar, a criança consegue tudo o que quer sem esforço, ou seja, não entende o valor das coisas, nem financeiro e nem simbólico. Não entenderá a necessidade de almejar o que deseja por si só.

 

A criança deve ser proibida sempre que necessário, ela é um ser amoral e subversivo, que não tem noção de certo ou errado, nem das consequências de seus atos. Se permitida ela realmente poderá fazer horrores e dificilmente se sentirá culpada. Inversamente, também não se deve ser rígido demais. A criança deve entender que seus caprichos serão inúteis, e os pais devem tratam a manhas da mesma forma, contudo oprimir e tolher demais é tão ruim quanto libertar e prover em demasia.

Como a criança mimada ganha tudo que quer ela não vê valor no que ganha, ela não sabe o quanto custa e nem se importa com isso, só lhe importa o querer, ou seja, querer é igual a conseguir. Elas também têm dificuldade no convívio social desde cedo, são egocêntricas, não compartilham seus brinquedos; são narcisistas, acham que todos as amam e devem fazer suas vontades; são desafiadoras, não suportam autoridade e hierarquia; são violentas quando contrariadas e costumam ter baixa auto-estima. Isso a faz ter pouca resistência à frustração, o que a fará um adulto desmotivado, pouco produtivo, que não se esforça frente desafios, o que pode ser levado para várias vias de compreensão, como trabalho, sendo o “preguiçoso” e vida de casal, na qual será o que “não faz nada e exige tudo”, mantendo relações baseadas no ganho próprio por meio de troca, ou seja, “se eu fizer isso eu ganho aquilo?”. Esse é um comportamento egoísta e chantageante. A criança aprende com os pais que se parar de chorar ganhará o chocolate, ela dá a tranquilidade aos pais, os pais dão o chocolate. Passa meia hora ela começará a chorar por outra coisa e aplicará a mesma tática, o que se propagará em uma vida adulta muito desajustada.

Os pais se tornam permissivos e protetores porque temem que os filhos se tornem infelizes, de que saiam no prejuízo, de que possam ser comparados com os amigos da escola. Nesse medo de que o pior aconteça é justamente esse o fim. Eles dão demais, seja liberdade, seja escolha, e a criança não sabe lidar com isso. Ela acredita que, já que tem o poder de escolha ela pode sempre se satisfazer, tornando-se uma criança rebelde, transgressora, violenta e desafiadora, quase como se dissesse “eu não vou fazer isso, venha me obrigar”.

As repreensões e permissões serão chave na formação da personalidade. É necessário e preciso repreender a criança, ela precisa ser barrada. A criança aprende com a observação e a experiência o que pode ou não fazer e como deve agir em sociedade. Uma criança não proibida não se ajusta a sociedade e costuma agir com sensações de impunidade.

As consequências desses padrões aprendidos é que, na vida adulta, pouco é interessante a luta. Evita-se o confronto com as adversidades da vida, do trabalho, do casamento. Como se aprendeu na infância que, de uma forma ou de outra, as coisas se resolvem, também se aprendeu que eu não preciso fazer algo pela minha vitoria, ela virá, mas na realidade, não vem.

A criança deve ser integrante da família, com responsabilidades, tarefas e deveres, condizentes com sua capacidade motora e intelectual. Ao dar tarefas à criança ela se sente mais pertencente à família porque ela percebe que está fazendo diferença e agregando à todos, se sentindo mais tranquila e amada. É importante barrar, mas também é importante estar lá e dar apoio.