Erro

Amor nos tempos líquidos

Postado por Bruno Mello em 16/05/2018 21:30:57


 

Como diria Zygmunt Bauman, “vivemos tempos liquidos, nada é para durar”. As relações estão cada vez mais volúveis, fracas e de fachada. Os amores não duram, não perduram nos nossos corpos nem em nossas mentes e não há valorização do outro e de suas idiossincrasias. Não há resiliência ou aprendizado.Os amores são feitos de duas pessoas que se juntam, mas não se unem.

Dificilmente vemos casais unidos por fortes laços de confiança e amor resiliente, capaz de suportar as adversidades e, quando vemos, achamos algo tão admirável que sentimos inveja, contudo não seríamos capazes de ser como esse casal ideal. A adversidade se instala quando nenhum ou apenas um dos cônjuges segura a relação e suas dificuldades, quando não há disposição, vontade, ou quando há força somente nos momentos bons e há desapego nos momentos ruins, que são quando a força é mais necessária.

Nossos avós tinham a pressão social sobre o casamento único e findável apenas na morte. Com o fim destes conceitos acabou-se, também, a constrição que mantinha a resiliência nas relações e, com isso, nos tornamos, ademais, muito individualistas e despreocupados com o outro.

O exemplo paterno e materno, como era esse casal e as relações familiares são o que nos fará adotar uma postura mais relacional ou individual. Quando me refiro ao relacional não digo sobre ter muitas relações. Digo sobre as profundas, sobre o “querer” estar presente, sobre o “se preocupar”, sobre o aproveitar o que tem de melhor e, principalmente, querer e estar disposto a mudar as coisas que não estão na sua forma ideal. Falo sobre resistência e sobre o sentimento terno que deveria existir mas que é mascarado pelas dúvidas não ditas, inseguranças não resolvidas e barreiras invisíveis entre duas pessoas que deveriam ser confidentes, parceiros e, até, cúmplices, mas que não o são porque tem medo, porque não aprenderam a ser assim e, hoje, são frutos da disfunção familiar, de seus próprios medos e acham estar felizes na sua individualidade, a qual não permitirá saber como poderia ter sido se houver auto permissão e coragem para amar e se deixar ser amado.

O amor líquido esvai pelos dedos e escapa. Cabe a nós torna-lo parte integrante ou deixa-lo ir.