Erro

O que tem motivado a sua fome?

Postado por Giovana Bruno da Silva em 13/05/2021 12:26


  • Comida como bonificação ou mérito

Desde pequenos aprendemos que em algumas situações o hábito de se alimentar traz consigo um significado que vai além da própria necessidade de nutrientes. Aprendemos a comer para festejar, comemorar, se acalmar, calibrar uma emoção, diminuir uma tristeza e por vários outros motivos com embasamento emocional. Até mesmo em filmes, quantas vezes já não vimos cenas em que em términos de relacionamento o personagem se acabava em um pote de sorvete ou com outros doces? Isso é algo comum em nossa sociedade, aprendemos que o alimento possui um efeito acolhedor em nossas mágoas; até mesmo as festas de finais de ano que antes mesmo de acontecerem já estamos pensando em uma ceia farta, cheia de alimentos que pouco comemos no resto do ano, mas que por comemoração os atribuímos àquela época. Todos estes costumes são inicialmente culturais, e não são realmente prejudiciais para quem os adere.
O problema está em quando percebemos que nossa alimentação de forma geral já não se baseia apenas na fome física, mas sim na fome emocional, de modo que com o passar do tempo vamos perdendo a capacidade de diferenciar uma da outra, e é neste momento que nos percebemos com problemas relacionados a ganho ou perda de peso, transtornos alimentares, baixa autoestima, etc.  Mas como entender nossa verdadeira relação com a comida?

  • Compreendendo sua fome

Primeiramente, precisamos entender que a glicose, um supressor do apetite, aumenta substancialmente quando estamos estressados, e com este aumento a atividade do hipotálamo é reduzida, sendo esta a área responsável por “mandar uma mensagem” ao nosso organismo de que já estamos satisfeitos e que aquele consumo de calorias já é suficiente.
Ou seja, conforme nosso nível de emoções for mais intenso, menos teremos aquela sensação de sacies enquanto estamos “descontando” na comida, uma forma de perceber este comportamento é quando em um momento difícil de lidar, conseguimos comer uma barra de chocolate inteira de uma vez, ou vários pedaços de pizza um seguido do outro, podendo até ser o caso de passar mal ao termino da refeição, por tamanha quantidade ingerida.
É interessante que cada indivíduo reconheça o significado que a comida tem para si mesmo, o autoconhecimento é a base se aprofundar neste significado. Faça uma reflexão sobre o que você come, quando come, com quem come e quais são suas emoções em relação à comida nestes momentos, busque por padrões e semelhanças, o uso de um diário alimentar pode lhe auxiliar a encontrar estes padrões para melhor entender o que move emocionalmente esta relação com a comida.

  • Como lidar com a fome emocional

O ato de avaliar a intensidade de sua fome também pode ajudar na compreensão de seus hábitos alimentares, busque analisar se baseando numa escala de 0 a 10 qual o nível de sua fome antes das refeições. Evite permitir-se chegar ao nível 9 e 10 para que se faça a refeição, pois a ansiedade de alimentar-se também age de forma direta na intensidade da qual você se alimenta, é como ir ao supermercado com fome, quando fazemos isso temos a sensação de que tudo é necessário naquele momento da compra, pensando em muito mais quantidade do que quando vamos sem esta necessidade de se alimentar tão presente. Considere também avaliar seu nível de saciedade após cada refeição, levando em conta sempre que o cérebro leva em média 20 minutos para sinalizar ao estomago que está satisfeito, por isso é interessante que durante as refeições nada seja feito com pressa, preste atenção em como você mastiga a comida, sinta o aroma, os sabores, a textura, identifique se aquele alimento te remete a algo.

O tratamento psicoterapêutico pode lhe auxiliar a se perceber mais nesta relação com a comida, enraizando o conceito de não atribuir a comida o papel de amenizador de problemas e desordens mentais. Com a terapia, podemos realizar o desenvolvimento de recursos pessoais para lidar com a ansiedade, juntamente com a compreensão de onde ela vem e quais os gatilhos que a intensificam.

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Giovana Bruno da Silva

Psicóloga clínica - CRP 06/163924